Pesquisar

Minhas Redes Sociais – Nosso contato direto com você

No link abaixo nosso contato e nosso endereço de redes sociais. Siga-nos nestas Redes Sociais e tenha sempre acesso as informações que publicamos regularmente.



CLIQUE AQUI!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A ignorância das pessoas em relação à deficiência.

Compartilhando uma história real:

Tenho uma filha cega e queria dividir com vcs alguns relatos de situações ocorridas conosco e que só quem passa pelo problema vai reconhecer: Tenho certeza que outras mães tem muitas outras histórias pra contar.

"" Entrei no Mc Donald's com minha filha que devia ter uns 6 anos, Comprei o lanche, me sentei, coloquei a bandeja na frente dela e comecei a explicar onde estava cada coisa..... Nisso uma senhora na mesa ao lado que olhava insistentemente para minha filha, se levantou, sem nem pedir licença se sentou na minha mesa e perguntou... Ela é cega? Sim senhora respondi. E a mulher insistiu.... E vc já levou ela no médico? Daí eu falei ironicamente para minha filha.... Amanhã mesmo vou levar vc no médico!! Vai ver que é por isso que até hoje vc não ficou boa pq esses anos todos eu tenho levado vc no veterinário!!!""

""Outra vez depois de pegar minha filha na escola, passei no supermercado antes de ir pra casa.  Na hora de pagar ela me ajudou a tirar as coisas do carrinho e, no final, ficou tateando pra ver se havia algo ainda. Eu avisei à ela que havia terminado e a senhora atrás de mim com curiosidade perguntou.... Ela não enxerga? Não senhora....  É que ela está de uniforme... E eu respondi... Sim ela estuda.... E a senhora responde... Ahhh é mesmo!!! Esqueci... Cego aprende hebraico né?""

""Tenho um grande amigo que também é deficiente visual e um dia sentamos num restaurante para almoçar. O garçom se aproxima e se dirige somente à mim... A senhora vai beber o que? Eu respondo e o garçom continua... E ele? Eu me viro pro meu amigo e ironicamente digo... O garçom quer saber o que vc vai beber... E meu amigo... Diz pra ele que eu quero um chopp... E assim seguimos. O garçom perguntava pra mim, eu perguntava pro meu amigo e ele respondia pra mim e eu repetia pro garçom.... Levou mais ou menos meia hora pro garçom entender que podia perguntar diretamente pra ele"".

""Um dia estava tirando o carro da garagem e o portão da minha casa não era automático. Portanto, tirei o carro, parei na calçada, abri a porta, fechei o portão e peguei minha filha para sentá-la na cadeirinha do banco de trás. Nisso que estou ajeitando ela, chega uma mulher que morava na casa ao lado e eu conhecia somente de vista por ser minha vizinha, nunca na vida havia conversado com ela. Pois esta senhora veio até o meu carro e sem saber que minha filha é cega, apenas por ver os olhos "tortos" (ela tem estrabismo), me pergunta sem nem me dar um bom dia.... Sua filha é tão bonita, quando vc vai operar os olhos dela? E eu calma e ironicamente respondo... Assim que a senhora depositar o dinheiro na minha conta.... Ela se irritou, me chamou de grossa e foi embora.""

""Um dia minha filha ia pra casa do namorado. Daí eles combinaram que ela pegaria um ônibus e ele a esperaria no ponto pra poder ir com ela até a casa dele pois ela ainda não conhecia o caminho. Enquanto ele está em pé na calçada esperando por ela, passa um senhor e coloca 5 reais de esmola no bolso da camisa dele""

""Minha filha entra em lojas e as pessoas falam com ela gritando e bem lento como se ela tivesse um combo deficiência e além de cega fosse também surda e tivesse o entendimento de uma criança de 5 anos"".

Uma situação recorrente é a seguinte... "" Sua filha não enxerga? Não.... Ahhh que pena... é tão bonita!! ""..... Oi ?? Se fosse feia não tinha problema??

Poderia citar dezenas de situações como essas. São com certeza bem engraçadas e eu mesma rio muito de todas elas. Mas o que eu gostaria que vcs prestassem atenção é no preconceito presente em cada situação e, também, a invasão de privacidade, a ignorância das pessoas em relação à deficiência e o desrespeito ao ser humano, como se o fato de ter um filho deficiente ou ser deficiente, desse automaticamente o direito às pessoas de se intrometerem na sua vida. Ninguém pergunta nada a uma mãe de uma criança dita ""normal"" na rua. O máximo que podem perguntar é a idade e o nome da criança.

As pessoas falam e fazem coisas absolutamente sem noção simplesmente pelo fato de não pensarem no que estão dizendo ou fazendo.... E isso independe de classe social, cultura ou educação. Simplesmente a curiosidade é maior que qualquer outra coisa até mesmo o direito á privacidade do outro. Ninguém se importa se está constrangendo o outro.

A sociedade acha que o deficiente não tem direito à vida.... Não trabalha, não estuda, não ganha dinheiro, não viaja, não tem conta em banco, não faz nada. O deficiente tem que ser dependente de alguém. A sociedade ainda olha com descrença pro deficiente visual, sempre duvidando que ele seja capaz de lavar, passar, cozinhar, andar sozinho na rua, se vestir.... Nega inclusive a sexualidade do DV e muitos acham que não podem namorar, casar e ter filhos !! São tantas histórias nesse tema que daria um livro.

O que dói mais é que muitas vezes o preconceito está presente na própria família. Avós que tratam o DV como um pobre coitado que deve ser tratado de maneira diferente dos outros netos... Pais que são absolutamente incapazes de criar seu filho como uma criança que precisa ter limites e responsabilidades, parentes que olham pra mãe como se ela fosse uma louca ou um monstro que não ama o filho ou fosse incapaz de criá-lo simplesmente pq ela não olha pra ele como um incapaz.

Eu comecei esse relato dizendo ""tenho uma filha cega". Isso foi proposital. Usei um termo politicamente incorreto pq eu queria dizer o seguinte.... Pra mim não importa como chamo minha filha, se cega, DV, pessoa com deficiência, ou outro nome qualquer.

A nomenclatura não muda o amor, o respeito e o orgulho que tenho dela. A nomenclatura não muda o modo como eu a vejo ou como ela se vê pois o valor dela está nos seus atos, nas suas conquistas. A nomenclatura não faz dela uma pessoa melhor ou pior, mais ou menos digna. Ela foi ensinada desde pequena a ter auto-estima e ser feliz independente do que digam dela ou para ela.

A nomenclatura é apenas uma palavra usada para definir algo ou alguém. Não acho que seja incorreto ou preconceituoso dizer cego. Acho muito mais preconceituoso utilizar palavras politicamente corretas mas isentas de um olhar humano, ignorando os sentimentos e necessidades do deficiente.

Enquanto a sociedade estiver preocupada com nomes, nada vai mudar.... O preconceito vai continuar existindo nas pequenas ações cotidianas. No dedo que aponta, na mão que dá a esmola e na falta de oportunidades sociais. E eu não quero mudar nomes, eu quero mudar o comportamento e o pensamento das pessoas.

autora desconhecida

Nenhum comentário:

Postar um comentário