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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A bengala.

Bengala

A bengala, para o cego, possui a função de encontrar os obstáculos, rasrear o ambiente.  Então, não se preocupe se houver um móvel, por exemplo. A função da bengala é bater nele, para que possamos desviar. Não tente nos desviar dos obstáculos, antes que a bengala os possa detectar. Normalmente, mais atrapalha  que ajuda.

Uma pessoa usando bengala não precisa ser guiada. Mas se, por algum motivo for necessário, evite pegar no braço da bengala. Evite, mais ainda, pegar na própria bengala. Puxar-nos por ela, então, é menos que desejável.

A decisão de quando usar ou não a bengala é da pessoa com deficiência. Não é de bom tom você dizer que a devemos guardar, ou usar. Nós possuímos a deficiência. Nós lidamos com isso todos os dias. É uma questão muito pessoal. O cortês é observar e interferir o menos possível, a menos que você seja um professor de mobilidade, por  exemplo.

Cada pessoa tem seu ritmo. Não é necessário você dizer que temos que ir mais rápido, ou, pior, mais devagar.

 Bengala não é muleta. Normalmente um deficiente visual com bengala não possui problemas com as pernas, por  exemplo, então, não precisa se preocupar quando nos vir de pé e insistir para que sentemos.

Creio que as pessoas pensem que um cego tem a mesma experiÊncia de instabilidade e insegurança que uma pessoa normovisual apresenta, se venda os olhos por alguns instantes e tenta se locomover. Não é dessa maneira. Em geral, temos muito mais segurança, já que contamos com o hábito. Aliás, acho essa dinâmica péssima, por dramatizar muito a experiÊncia da cegueira, não passando noção nenhuma dos nosas capacidades e potenciais.

Atualmente, existem bengalas de diversas cores e estilos. As verdes sinalizam que a pessoa que a carrega tem baixa visão. Isto significa que ela não é propriamente cega, mas não possui visão bastante para locomover-se dispensando o rastreio do ambiente.
Então, se vir uma pessoa que não parece cega usando uma bengala verde, significa que ela enxerga, mas não tanto quanto você.

Uma bengala não detecta obstáculos superiores, ou seja, que estão da cintura para cima, mais ou menos. Assim, se desejar, pode nos avisar sobre galhos de árvores, cabines telefônicas, lixeiras, janelas entreabertas...

Quando estamos andando na rua, concentramos todos nossos sentidos. Por isso a maioria de nós realmente não gosta de ser "agarrado", ainda que com as melhores intenções (ceguisticamente falando, não eroticamente falando). Então, se quer ajudar, pergunte primeiro se precisamos. Se for ajudar, identifique-se: de onde você saiu, o que pretende fazer, essas coisas ajudam muito.

Não é legal você ser cego e de repente ter uma pessoa te agarrando, sem quê nem por quê. A nossa reação pode ser intempestiva, mas, se se colocar no nosso lugar, talvez compreenda.

Lembro de uma pessoa que quase me matou de susto no centro. Eu estava andando com minha filha no sling, ela me agarrou, quase apertando minha garganta... Eu dei um berro, meu bebê acordou. A pessoa estava tentando me salvar de um obstáculo insignificante, que a bengala obviamente detectaria, mas eu fiquei tão apavorada, que gritei com ela no meio da rua. Pensei tratar-se de um assalto, tentativa de agressão - é essa a leitura que uma mulher faz ao ser bruscamente agarrada por alguém que não se identifica no meio da rua.

Nós gostamos de ter espaço pessoal, tanto quanto você. Pense em como trataria uma pessoa sem deficiência, no respeito que lhe votaria, na consideração que dispensa a qualquer pessoa e estenda a n´so a mesma cortesia. Não somos realmente tão diferentes de você.

Somos pessoas normais, embora não sejamos pessoas comuns. Nossa normalidade nos coloca lado a lado  contigo nas necessidades de respeito, acesso às oportunidades, dignidade e consideração.
Todavia não somos comuns, o que significa que embora façamos muitas coisas que você faz, possivelmente as realizaremos de outra maneira... Uma maneira que não é anormal... Genial ou miraculosa... Só diferente...

Uma diferença não precisa ser inferiorizada ou elevada ao status de portento: apenas respeitada.

Uma pessoa com bengala não é uma criatura feita de gelatina que vai cair no próximo segundo, a menos que você a agarre e sustente pelos próximos 10 metros.
É só outro ser humano tentando encontrar o caminho, igualzinho a você. Respeitá-lo também significa lhe dar o direito ao mínimo de privacidade e liberdade.
Autora: Joyce guerra Jobis

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