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sexta-feira, 23 de março de 2018

Com Retinose pigmentar, e cego desde os 9 anos, Eder Pires de Camargo é livre-docente e dá aulas de física na Unesp de Ilha Solteira

Era apenas mais um dia de aula, no primeiro colegial em uma escola de Lençóis Paulista, em 1987, quando Eder Pires de Camargo ouviu de seu professor de matemática: "menino, você tem potencial". Poderia ser um simples elogio, mas foi um grande incentivo para ele, então com 14 anos, lutar pelos seus sonhos. Deficiente visual desde os 9 anos, Eder teve o apoio necessário para seguir em frente e ser o primeiro livre-docente cego no ensino de Física no Brasil.
Aos 45 anos, o professor ministra aulas na Unesp de Ilha Solteira e Bauru e lança seu sétimo livro, o primeiro a tratar diretamente de sua história como cego em um mundo de pessoas que enxergam.
"Se aquele professor não tivesse ido lá me buscar no fundo da sala, não sei o que teria sido de mim", disse Eder, que na época já tinha retinose pigmentar, uma deficiência degenerativa da retina. "A imagem que se projeta na retina não chega até o cérebro. Perdi a capacidade visual de ler e tive que transformar toda estrutura social e a mim mesmo", falou o professor.
Sem poder ver o mundo ao seu redor, o medo sempre andou ao lado de Éder, desde quando dava aulas na educação básica. "O medo foi um motivador para os meus estudos de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Sempre amei lecionar na educação básica, mas minha escolha pelo ensino universitário se deu, primeiramente, pela fuga do medo, pela procura de condições mais adequadas de trabalho", falou.
A livre-docência é o título acadêmico mais elevado da carreira universitária e Eder conquistou sua titulação em 2016 pela Unesp de Ilha Solteira. "Precisei desconstruir toda uma lógica visual de leitura e escrita que se encontra centrada na visão, principalmente na área da física, que contém linguagem matemática, gráfica, representações de modelos físicos. Tudo isso registrado visualmente", afirmou o professor.
O livre-docente foi sozinho a Toronto, no Canadá, no início deste ano, e não se dá por vencido quando o assunto é superação. "A língua inglesa é um desafio ainda, pretendo me aperfeiçoar e com a viagem pude provar a proposta que venho defendendo, ou seja, minha relação com a dificuldade", comentou.
Obras escritas
O livro de contos autobiográficos que Eder lança neste mês, intitulado "Estrangeiro", relata as histórias de superação, fracasso, amor, humor e as dores de um personagem cego em meio a tantos que enxergam. "A obra é uma defesa da cegueira enquanto beleza que caracteriza o cego. Não compartilho da ideia de que ser cego é um defeito, uma fragilidade ou inferioridade. Tenho orgulho e honra de ser cego", falou o escritor. "As incapacidades, limitações e desvantagens emergentes da deficiência visual são invenções de uma sociedade que se estruturou em função do "ver", ou melhor, de uma ideologia da visão", complementou.
É a sétima produção literária de Eder, entretanto, os outros retratam sua pesquisa sobre o ensino de física e ciências para alunos com deficiência visual. "Tento humanizar o cego no livro, apresentar que ele ama, odeia, supera, perde, ganha, tem time de futebol e tantas coisas como qualquer pessoa, com suas especificidades", disse o professor, que é palmeirense.
Para produzir a obra, Eder usou computadores com ledores de texto, o Virtual Vision e o NVDA - programas que leem menus e ícones de computador ao usuário. "Estrangeiro" pode ser adquirido pela página do Facebook do escritor, https://www.facebook.com/EderPiresDeCamargo/, ou pelo link www2.fc.unesp.br/encine.
(Colaborou Victor Stok)

Fonte:https://www.diariodaregiao.com.br/_conteudo/2018/03/cidades/1098650-vencendo-a-escuridao.html

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