Cientistas japoneses conseguiram criar retina em laboratório utilizando células-tronco, o que foi considerado uma conquista “espantosa“, pois a retina desenvolveu-se “a partir do nada“, o que abre grandes esperanças para futuros transplantes em milhões de pessoas cegas.
Os idosos que perderam a visão devido à degeneração macular, estão entre as pessoas que poderão ser beneficiadas, pois esta é a causa mais comum de cegueira em pessoas idosas.
Os pesquisadores japoneses usaram células-tronco embrionárias não diferenciadas, que se podem transformar em qualquer célula do corpo, adicionando depois determinadas proteínas e produtos químicos para induzir as células a desenvolver a retina que, como se previa, não se apresentou madura e completa, mas sim numa fase semelhante à encontrada num bebé antes de nascer, segundo a revista Nature.
As experiências foram feitas em ratos no Centro Riken de Desenvolvimento Biológico em Kobe, mas ainda é necessário provar que a retina funciona, quer em ratos, quer em seres humanos.
No futuro, talvez seja possível criar células de retina a partir das células do próprio paciente, que serão depois injectadas no fundo do olho para reparar danos e reestabelecer a visão.
Fonte http://www.lusapress.com/2011/04/cientistas-japoneses-criam-retina-a-partir-de-celulas-tronco/
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terça-feira, 12 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Portadora de Retinose pigmentar coloca chip e volta a enxergar.
Ivoti - A vida de Betina Auler, 46 anos, passou a ser novamente iluminada, desde o dia 24 de novembro de 2010, quando se submeteu a uma cirurgia para implantar um chip na retina do olho esquerdo. A ivotiense perdeu a visão poucos meses antes da formatura de 2.º grau, aos 18 anos, por causa de uma doença genética chamada retinose pigmentar. No último dia 16 de março, familiares e amigos a receberam com alegria no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Betina retornou, após seis meses de tratamento na cidade alemã de Tübingen. Ela foi a única voluntária das Américas a ser selecionada para o grupo submetido à pesquisa e aos primeiros procedimentos cirúrgicos, tudo gratuitamente. "Tive a felicidade de ser escolhida dentre uma extensa lista de candidatos", orgulha-se. O desafio dela agora é se acostumar ao equipamento para recuperar gradativamente a capacidade de enxergar o mundo, mesmo que seja só em preto e branco.
Adaptação rápida
A operação de Betina Auler demorou mais de dez horas e foi feita com anestesia geral. A ivotiense teve alta dez dias depois e passou por um período de testes para usar um aparelho eletrônico. A jornada posterior foi de consultas com os especialistas para adaptação ao equipamento. A ivotiense chegou de volta ao Brasil no último dia 16 de março. "Minha adaptação foi rápida e nem sinto o chip no olho. Tem um fio que liga o circuito ao cérebro. Quando ligo o aparelho portátil, consigo enxergar. É como se desse um flash ao ser acionado e uma pequena janela se abrisse em preto e branco. Ainda estou me acostumando a lidar com os contrastes", explica. Betina já testou um outro equipamento menor. "É para facilitar os movimentos. O aparelho que uso agora é muito sensível", justifica.
"É a realização de um sonho"
Antes da implantação do chip, Betina Auler foi submetida a uma bateria de exames, além de uma cirurgia de catarata. "Para ser apta, é necessário atender a uma série de requisitos clínicos. E catarata é uma das sequelas da doença", ressalta Betina, que quer contar aos sobrinhos como ela os enxerga. "Estou consciente de que não vou recuperar a visão 100%, mas só isso já é a realização de um sonho." O oftalmologista Marcelo Allgayer diz que a retinose pigmentar é uma doença degenerativa progressiva, que provoca a morte das células escuras do olho.
Ajuda de amigos e familiares
Betina Auler é grata a uma série de anjos da guarda que foram fundamentais para conseguir realizar a cirurgia, além da equipe médica da Universidade Klinikum Tübingen. A ideia de se candidatar ao tratamento revolucionário surgiu após a indicação da amiga Hildegard Mohrbach, que viu uma reportagem sobre a técnica na Alemanha. A mãe Liselotte Auler, 66, também passou quatro meses em solo alemão para acompanhar de perto o tratamento da filha.
SAIBA MAIS
O primeiro grupo a participar da experiência teve 11 candidatos selecionados de vários países
Betina Auler fez parte de uma segunda fase, junto com outros oito pacientes voluntários. Ela foi a única selecionada das Américas. "Fui contemplada por falar alemão, já que eles não aceitam tradutores", reforça a paciente
A técnica revolucionária foi desenvolvida pelo médico Eberhard Zrenner, enquanto a cirurgia dela foi feita por Karl Ullrich Bartz-Schmitz
O implante do chip é exclusivo para portadores de retinose pigmentar
A paciente terá a visão parcial recuperada apenas no olho esquerdo
O chip implantado tem 3 x 3 milímetros de superfície
FONTE http://www.diariodecanoas.com.br/site/noticias/geral,canal-8,ed-60,ct-194,cd-312174.htm
Adaptação rápida
A operação de Betina Auler demorou mais de dez horas e foi feita com anestesia geral. A ivotiense teve alta dez dias depois e passou por um período de testes para usar um aparelho eletrônico. A jornada posterior foi de consultas com os especialistas para adaptação ao equipamento. A ivotiense chegou de volta ao Brasil no último dia 16 de março. "Minha adaptação foi rápida e nem sinto o chip no olho. Tem um fio que liga o circuito ao cérebro. Quando ligo o aparelho portátil, consigo enxergar. É como se desse um flash ao ser acionado e uma pequena janela se abrisse em preto e branco. Ainda estou me acostumando a lidar com os contrastes", explica. Betina já testou um outro equipamento menor. "É para facilitar os movimentos. O aparelho que uso agora é muito sensível", justifica.
"É a realização de um sonho"
Antes da implantação do chip, Betina Auler foi submetida a uma bateria de exames, além de uma cirurgia de catarata. "Para ser apta, é necessário atender a uma série de requisitos clínicos. E catarata é uma das sequelas da doença", ressalta Betina, que quer contar aos sobrinhos como ela os enxerga. "Estou consciente de que não vou recuperar a visão 100%, mas só isso já é a realização de um sonho." O oftalmologista Marcelo Allgayer diz que a retinose pigmentar é uma doença degenerativa progressiva, que provoca a morte das células escuras do olho.
Ajuda de amigos e familiares
Betina Auler é grata a uma série de anjos da guarda que foram fundamentais para conseguir realizar a cirurgia, além da equipe médica da Universidade Klinikum Tübingen. A ideia de se candidatar ao tratamento revolucionário surgiu após a indicação da amiga Hildegard Mohrbach, que viu uma reportagem sobre a técnica na Alemanha. A mãe Liselotte Auler, 66, também passou quatro meses em solo alemão para acompanhar de perto o tratamento da filha.
SAIBA MAIS
O primeiro grupo a participar da experiência teve 11 candidatos selecionados de vários países
Betina Auler fez parte de uma segunda fase, junto com outros oito pacientes voluntários. Ela foi a única selecionada das Américas. "Fui contemplada por falar alemão, já que eles não aceitam tradutores", reforça a paciente
A técnica revolucionária foi desenvolvida pelo médico Eberhard Zrenner, enquanto a cirurgia dela foi feita por Karl Ullrich Bartz-Schmitz
O implante do chip é exclusivo para portadores de retinose pigmentar
A paciente terá a visão parcial recuperada apenas no olho esquerdo
O chip implantado tem 3 x 3 milímetros de superfície
FONTE http://www.diariodecanoas.com.br/site/noticias/geral,canal-8,ed-60,ct-194,cd-312174.htm
terça-feira, 15 de março de 2011
Pesquisa com células-tronco tem reconhecimento mundial
A comunidade científica mundial reconheceu o Brasil como o primeiro país a desenvolver trabalho usando células-tronco no controle da retinose pigmentar - doença genética que causa a perda gradual da função retiniana, provocando a cegueira irreversível. O resultado da primeira etapa do estudo, do qual a psicóloga Fernanda Fernandes, 24 anos, de Birigui, fez parte, será publicado em março no Retina Journal - publicação americana que serve de referência para a classe médica científica.
A pesquisa é coordenada pelo oftalmologista Rubens Siqueira, de São José do Rio Preto, em conjunto com pesquisadores da USP de Ribeirão Preto. De acordo com o médico, o tratamento consiste na aplicação de células-tronco extraídas da medula óssea dos próprios pacientes diretamente na retina. O objetivo é conter o avanço da doença.O trabalho começou a ser desenvolvido em 2009. Fernanda e outros quatro pacientes em estágios diferentes da doença já receberam duas aplicações, cujo resultado obtido abriu caminho para que outras 20 pessoas pudessem ingressar no tratamento experimental. Siqueira disse que o tratamento nos novos pacientes será iniciado em março.
Ele falou que além dos portadores de retinose pigmentar em vários graus a aplicação de célula-tronco também será testado em portadores de outras doenças de fundo de olho. O médico explicou que a publicação do estudo no jornal americano ainda não credencia o protocolo desenvolvido no Brasil como tratamento, mas já representa um passo importante nesse sentido.
fonte folha da região.com
A pesquisa é coordenada pelo oftalmologista Rubens Siqueira, de São José do Rio Preto, em conjunto com pesquisadores da USP de Ribeirão Preto. De acordo com o médico, o tratamento consiste na aplicação de células-tronco extraídas da medula óssea dos próprios pacientes diretamente na retina. O objetivo é conter o avanço da doença.O trabalho começou a ser desenvolvido em 2009. Fernanda e outros quatro pacientes em estágios diferentes da doença já receberam duas aplicações, cujo resultado obtido abriu caminho para que outras 20 pessoas pudessem ingressar no tratamento experimental. Siqueira disse que o tratamento nos novos pacientes será iniciado em março.
Ele falou que além dos portadores de retinose pigmentar em vários graus a aplicação de célula-tronco também será testado em portadores de outras doenças de fundo de olho. O médico explicou que a publicação do estudo no jornal americano ainda não credencia o protocolo desenvolvido no Brasil como tratamento, mas já representa um passo importante nesse sentido.
fonte folha da região.com
domingo, 6 de março de 2011
Programas que auxiliam pessoas com problemas na visão a utilizar o computador.
Lupa virtual para aumento de detalhes na tela do PC, direcionada para usuários com problemas de visão.
Virtual Magnifying Glass é uma ferramenta de magnificação gratuita e em código aberto. O programa é uma lupa digital desenvolvido para deficientes visuais ou pessoas que precisam ampliar uma parte da tela. É um método simples de usar, com opções para personalização e regulagem do tamanho dos caracteres ou ícones na Área de Trabalho.
LINK PARA BAIXAR
http://www.baixaki.com.br/download/virtual-magnifying-glass.htm
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Aplicativo para monitorar e ajustar automaticamente a proporção de luminosidade que o monitor precisa exibir.
Todo mundo sabe que ficar muito tempo em frente ao computador cansa tanto o corpo a mente e, essencialmente, a visão. É fato que a luminosidade excessiva ajuda a cansar mais os olhos e, futuramente até acelerar algum problema.
Os monitores não conseguem discernir em quais momentos do dia há mais luminosidade ou não, por isso, emitem sempre a mesma quantidade de luz. Com o f.lux você pode acabar com este problema e ajustar a tela do computador para acompanhar a luminosidade natural.
LINK PARA BAIXAR
http://www.baixaki.com.br/download/f-lux.htm
Fonte site baixaki
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Trabalho do Dr Rubens é publicado em jornal científico americano
Dr.Rubens Siqueira (juntamente com pesquisadores de USP de Ribeirão Preto), teve seu estudo sobre células tronco para tratamento de doença da retina em seres humanos publicado no Retina Journal (jornal mais conhecido na área de retina nos Estados Unidos). Trata-se da primeira publicação no mundo sobre o assunto com tratamento realizado em seres humanos (os estudos anteriores foram feitos em animais). A reposição celular estratégica tem potencial para melhorar a visão em pacientes que foram anteriormente considerados incuráveis.
De acordo com o médico, as células-tronco utilizadas nesta pesquisa são derivadas da medula óssea do próprio paciente, ou seja, um transplante autólogo, portanto sem o risco de rejeição. As células-tronco separadas são implantadas no vítreo do globo ocular da paciente, espécie de líquido gelatinoso que fica sobre a retina. As células-tronco liberam substâncias que estimulam o funcionamento da retina e, conseqüentemente, resultam no melhor funcionamento desta.
Nesta primeira fase do estudo foi avaliado principalmente a viabilidade deste tratamento e a segurança.Na segunda etapa já com inicio programado para março desse ano os testes avaliarão se este tipo de terapia consegue pelo menos estabilizar a doença ou até produzir a melhora no campo visual , o que até o momento era impossível neste tipo de doença.
A retinose pigmentar é hereditária e leva a uma progressiva baixa de visão ainda sem tratamento. Estima-se que existe cerca de 40 mil pessoas com a doença. A cada cinco mil recém-nascidos, um tem a retinose que aparece até os 20 anos de idade. A doença chega a atingir um a cada 3,5 mil indivíduos.
Dr Rubens Siqueira possui um Centro de Pesquisa em São José do Rio Preto,é cirurgião de retina do Dolhos Hospital dia (Pirâmide) e pesquisador do departamento de retina da USP de Ribeirão e professor da pós graduação da FAMERP (São José do Rio Preto)
FONTE http://www.rubenssiqueira.com.br/portugues/?idpag=1
De acordo com o médico, as células-tronco utilizadas nesta pesquisa são derivadas da medula óssea do próprio paciente, ou seja, um transplante autólogo, portanto sem o risco de rejeição. As células-tronco separadas são implantadas no vítreo do globo ocular da paciente, espécie de líquido gelatinoso que fica sobre a retina. As células-tronco liberam substâncias que estimulam o funcionamento da retina e, conseqüentemente, resultam no melhor funcionamento desta.
Nesta primeira fase do estudo foi avaliado principalmente a viabilidade deste tratamento e a segurança.Na segunda etapa já com inicio programado para março desse ano os testes avaliarão se este tipo de terapia consegue pelo menos estabilizar a doença ou até produzir a melhora no campo visual , o que até o momento era impossível neste tipo de doença.
A retinose pigmentar é hereditária e leva a uma progressiva baixa de visão ainda sem tratamento. Estima-se que existe cerca de 40 mil pessoas com a doença. A cada cinco mil recém-nascidos, um tem a retinose que aparece até os 20 anos de idade. A doença chega a atingir um a cada 3,5 mil indivíduos.
Dr Rubens Siqueira possui um Centro de Pesquisa em São José do Rio Preto,é cirurgião de retina do Dolhos Hospital dia (Pirâmide) e pesquisador do departamento de retina da USP de Ribeirão e professor da pós graduação da FAMERP (São José do Rio Preto)
FONTE http://www.rubenssiqueira.com.br/portugues/?idpag=1
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
A segunda fase dos estudos com celulas tronco será realizada inicialmente em 20 pacientes.Veja!
A terapia celular com células tronco para tratamento da retinose pigmentar é um tratamento que está sendo testado em nosso serviço através de uma pesquisa que foi autorizada pelo Comitê Nacional de Ética . Este estudo também foi registrado no órgão americano de controle de pesquisas (clinicaltrial.gov) sob o número NCT01068561.Neste órgão as pesquisas são registradas somente após conseguir uma autorização do Comitê Nacional de Ética do país de origem e através deste sistema , todos os pesquisadores do mundo tem acesso ao estudo ,como ele está sendo realizado e os resultados obtidos.Muitos países como os Estados Unidos permitem a publicação ou apresentação em congressos de pesquisa deste nível somente após o registro neste órgão.
Dr Rubens Siqueira juntamente com pesquisadores da USP-Ribeirão PretoO (Prof.Dr. Rodrigo Jorge e Prof.Dr. André Messias do departamento de retina e Prof.Dr. Julio Voltarelli do departamento de transplante de medula óssea).
,iniciaram há 1 ano e meio a primeira fase do estudo com 5 pacientes e foi demonstrado ser um procedimento seguro e viável. Observamos também repostas positivas com relação ao eletrorretinograma e campo visual.
Recebemos agora(dezembro de 2010) a autorização para iniciarmos a segunda fase do estudo que será realizada inicialmente em 20 pacientes e após o término, um outro grupo será convidado para participar da pesquisa.
O inicio está previsto para fevereiro de 2011quando já serão realizadas as aplicações de células tronco nos primeiros pacientes desta segunda etapa da pesquisa.
Os pacientes que serão selecionados, são pacientes já cadastrados em nosso sistema e a escolha dependerá somente dos critérios clínicos, portanto não funcionará como uma fila a ordem de chamada e sim de acordo com o resultado que o paciente apresentou em seus exames.
Os pacientes selecionados serão submetidos a uma avaliação psicológica e clínica-hematológica antes de serem submetidos ao tratamento.
FONTE http://www.rubenssiqueira.com.br/portugues/?idpag=1
Dr Rubens Siqueira juntamente com pesquisadores da USP-Ribeirão PretoO (Prof.Dr. Rodrigo Jorge e Prof.Dr. André Messias do departamento de retina e Prof.Dr. Julio Voltarelli do departamento de transplante de medula óssea).
,iniciaram há 1 ano e meio a primeira fase do estudo com 5 pacientes e foi demonstrado ser um procedimento seguro e viável. Observamos também repostas positivas com relação ao eletrorretinograma e campo visual.
Recebemos agora(dezembro de 2010) a autorização para iniciarmos a segunda fase do estudo que será realizada inicialmente em 20 pacientes e após o término, um outro grupo será convidado para participar da pesquisa.
O inicio está previsto para fevereiro de 2011quando já serão realizadas as aplicações de células tronco nos primeiros pacientes desta segunda etapa da pesquisa.
Os pacientes que serão selecionados, são pacientes já cadastrados em nosso sistema e a escolha dependerá somente dos critérios clínicos, portanto não funcionará como uma fila a ordem de chamada e sim de acordo com o resultado que o paciente apresentou em seus exames.
Os pacientes selecionados serão submetidos a uma avaliação psicológica e clínica-hematológica antes de serem submetidos ao tratamento.
FONTE http://www.rubenssiqueira.com.br/portugues/?idpag=1
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
USP usa células-tronco adultas em pacientes com Retinose Pigmentar

Uma equipe médica ligada à USP de Ribeirão Preto está iniciando um tratamento experimental contra a retinose pigmentar, doença que pode levar seus portadores à cegueira total. Três pacientes já foram tratados e mais dois devem se submeter ao novo protocolo em breve. A ideia é usar células-tronco retiradas da medula óssea dos próprios pacientes para estimular a retina deles a recuperar sua função, ao menos parcialmente.
"Estudos com animais como camundongos e coelhos mostraram que essa recuperação parcial pode acontecer, e é nisso que estamos apostando", declarou ao G1 o oftalmologista Rubens Siqueira, professor da Faculdade de Medicina de Catanduva (interior paulista) e um dos colaboradores da equipe da USP. Siqueira e seus colegas Rodrigo Jorge e André Messias trabalham junto com Júlio Voltarelli, pesquisador da USP que já conseguiu sucessos expressivos, embora ainda preliminares, no uso de células-tronco para tratar diabetes tipo 1 e esclerose múltipla.
A primeira vantagem de usar células tiradas da medula óssea do próprio paciente para transplante é que, claro, não existe risco de rejeição. A segunda, paradoxalmente, tem a ver com o fato de que essas células-tronco adultas, ao contrário de suas contrapartes embrionárias, muito provavelmente não vão produzir novas células da retina, mas apenas dar uma mãozinha às que já existem.
Menos poder, mais segurança
"Elas não têm todo o poder das embrionárias, mas também não correm o risco de gerar um tumor ou um tecido que não tem nada a ver com o tecido ocular", diz Siqueira. "São mais fáceis de controlar. Esperamos que elas produzam fatores angiogênicos [que ajudam na formação de vasos sanguíneos] e neurotróficos [ligados ao crescimento dos neurônios e outras células do sistema nervoso]", afirma ele.
Com isso, as células-tronco da medula funcionariam como uma "equipe de resgate" das células da retina que estão perdendo a função e morrendo por causa da retinose pigmentar. De origem genética, ligada a mutações em mais de cem genes diferentes, a moléstia pode atacar desde crianças a pessoas que passaram dos 50 anos. O paciente vai ficando com a visão cada vez mais limitada, por conta das células receptoras de luz da retina que se desativam ou passam por apoptose ou morte celular programada, uma espécie de autodestruição. "Nossa esperança é atingir a população de células que não está ativa, mas ainda não morreu", afirma o especialista.
Por causa do número pequeno de pacientes, o teste inicial vai levar em conta apenas a segurança da técnica, e não sua eficácia. Mesmo assim, os pesquisadores vão medir melhoras na capacidade visual dos doentes, que estão na casa dos 20 anos aos 40 anos. Uma maneira objetiva de fazer isso é avaliar o potencial elétrico da retina, indicando se as células nervosas estão respondendo ao estímulo da luz.
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Fonte: G1
Transplante de retina.
Pesquisas avançam em busca da recuperação funcional em processos degenerativos da retina. O epitélio pigmentado da retina pode ser o ponto de partida para essa nova modalidade terapêutica
Introdução
O transplante de células da retina tem sido realizado experimentalmente em olhos animais e humanos durante as últimas duas décadas. Apesar das evidências de que o transplante pode ser efetivo em modelos animais, sua eficácia em humanos ainda apresenta resultados controversos.
Os requisitos básicos para o sucesso do transplante de retina incluem:
• Uma fonte viável de células
• Uma técnica segura para a introdução dessas células
• Sobrevida das células transplantadas dentro do receptor
• Nenhuma transdiferenciação das células enxertadas de seu fenótipo normal (de origem)
• Restauração da arquitetura normal da retina
• Estabilização ou melhora visual
Figura 1: esquema mostrando a área onde é retirado o enxerto contendo epitélio pigmentado da retina-membrana de Bruch e coróide e a área onde é implantado
Imagem:reprodução
As degenerações da retina freqüentemente acabam envolvendo quase todas as suas camadas. Portanto, seria necessário desenvolver uma estratégia celular biológica para restaurar a visão com um transplante de células e/ou tecidos neurais. Retinas de embriões têm sido aspiradas, fragmentadas e então injetadas por via de uma seringa no espaço sub-retiniano. Apesar de alguns relatos na literatura observarem a sobrevivência das células fotorreceptoras implantadas, a maioria dos estudos demonstrou que o tecido transplantado perde sua organização e degenera-se após quatro, cinco meses. Alguns grupos realizaram o transplante envolvendo os fotorreceptores em portadores de retinose pigmentar, utilizando células neurais de feto humano e também enxerto de olhos de cadáver adulto. Entretanto, apesar de não terem observado resposta imune significativa nos enxertos, nenhuma melhora visual foi conferida. Além disso, alguns aspectos limitadores relativos ao transplante da retina neural permanecem ainda sem solução, como as dificuldades da integração anatômica entre o enxerto implantado e o tecido receptor. Há também a questão, ainda não respondida pelos experimentos, sobre como essas células implantadas poderiam transferir informação visual. Outro aspecto ainda muito debatido envolve a questão ética, pois os melhores resultados foram obtidos nos estudos que utilizaram retina fetal.
Figura 2: seqüência da cirurgia do transplante autólogo do epitélio pigmentado
A= demarcação da área doadora com endodiatermia
B= remoção da retina sensorial deixando o EPR livre
C= remoção do fragmento contendo EPR-membrana de Bruch e coróide
D= inserção do fragmento no espaço submacular
Devido a esses fatores de limitação, o epitélio pigmentado da retina (EPR) tornou-se um objetivo lógico como ponto de partida para a reconstrução da retina através de um transplante.
As funções do epitélio pigmentado da retina (EPR) incluem: manutenção da barreira hematorretiniana, participação fundamental no ciclo visual da vitamina A, fagocitose dos segmentos externos e realização da isomerização do pigmento visual. Além disso, o EPR secreta diversos fatores de crescimento, como: fator de crescimento derivado da plaqueta (PDGF), que aumenta a sua produção em situações de cicatrização e reparo do EPR; fator de crescimento endotélio vascular (VEGF), que apresenta um papel fundamental no processo de angiogênese durante isquemia da retina e também serve como fator trófico das células do endotélio vascular; e o fator derivado do epitélio pigmentado (PEDF), que tem papel chave na coordenação funcional vascular e neural da retina e é potente inibidor da angiogênese.
Assim, sabe-se hoje que o epitélio pigmentado da retina tem papel crucial na sobrevida dos fotorreceptores e também da coriocapilar da coróide, através da liberação desses fatores de crescimento e produção de matriz extracelular.
A disfunção do epitélio pigmentado da retina pode alterar o ambiente extracelular dos fotorreceptores e desencadear uma variedade de doenças, como degeneração macular relacionada à idade (DMRI), descolamento seroso
Figura 3: cânula especialmente desenvolvida para o transplante autólogo do EPR. O instrumento é capaz de retirar o enxerto da área doadora e injetá-la no espaço submacular.
Imagem:reprodução
da retina e doenças genéticas como atrofia girata e coroideremia. Outras doenças que provavelmente começam pelo epitélio pigmentado da retina incluem a doença de Stargartd, doença de Best, distrofia viteliforme do adulto, drusas de lâmina basal e distrofias em padrão.
#i1# Transplante do EPR
O transplante do epitélio pigmentado da retina foi realizado por Peyman em 1991 em dois pacientes cuja degeneração macular relacionada à idade (DMRI) já se encontrava na fase terminal. Na seqüência, diversos autores também experimentaram essa técnica, utilizando também células fetais cultivadas para implante em pacientes com DMRI na forma seca e úmida, após a retirada cirúrgica do complexo neovascular coróideo.
Os resultados foram limitados, e depois de um ano houve rejeição do tecido implantado.
Portanto, uma solução encontrada para evitar o processo de rejeição foi o transplante de tecido autólogo, ou seja, retirado do próprio paciente.
Inicialmente tentou-se utilizar células do epitélio pigmentado da íris (transplante do epitélio pigmentado da íris), que foi testado por grupos do Japão e da Alemanha. A idéia foi utilizar o epitélio pigmentado da íris (facilmente retirado) para substituir o epitélio pigmentado da retina. Essa técnica, devido à facilidade de remoção do epitélio da íris, abreviaria o ato cirúrgico, diminuindo também as complicações. Apesar do comportamento estável das células no epitélio pigmentado da íris no espaço sub-retiniano, essa linha de pesquisa foi desestimulada pela ausência das características funcionais do epitélio pigmentado da retina, como a fagocitose, entre outras. Conclui-se então que o mais racional seria investir em uma técnica para utilização do epitélio pigmentado da retina autólogo.
Awylard, em 1999, na Alemanha, realizou os primeiros casos de transplante autólogo do epitélio pigmentado da retina. Utilizou a técnica em nove pacientes portadores de DMRI. Em seguida, diversos grupos iniciaram seus estudos sobre essa técnica, incluindo Suzanne Binder (Áustria), Meurs (Alemanha), Algvere e Carl Sheridan (Inglaterra).
Como é a técnica?
As duas técnicas mais utilizadas atualmente são a de suspensão (células do EPR em suspensão) e a de lâmina de EPR-membrana de Bruch e coróide.
Na técnica de EPR em suspensão, uma retinotomia é realizada no setor nasal ao disco óptico. Com uma pequena cânula é injetado BSS, elevando a retina nessa área. Através de uma cânula desenhada especialmente com a abertura para baixo, as células do EPR são aspiradas com aspiração ativa e coletadas em um recipiente com o próprio BSS. Após uma centrifugação, as células são separadas e então reinjetadas na região submacular. O perfluorcarbono é utilizado para aplanar a mácula e impedir o refluxo dessas células para a cavidade vítrea. Ao final da cirurgia é realizada uma troca de fluido, ar e injeção de gás (C3F8). Essa técnica é a que apresenta o menor índice de complicações. O grande obstáculo é a disposição aleatória das células do EPR em relação ao seu lado apical ou basal, não garantindo o posicionamento correto das células no espaço sub-retiniano, o que pode formar multicamadas e fibrose. Além disso, a área de membrana de Bruch não coberta pelas células do EPR poderá levar à atrofia dos fotorreceptores.
A técnica da lâmina de EPR-membrana de Bruch e coróide consiste em retirar um enxerto, contendo essas três camadas, e implantá-lo na região submacular.
Inicialmente, após uma retinotomia no setor nasal ao disco óptico, a delimitação da área de aproximadamente 1,5 a 2 mm quadrados é realizada através de uma endodiatermia. Após essa etapa, a retina nessa área é elevada com uma injeção de BSS no espaço sub-retiniano e com uma tesoura vertical a retina delimitada é cortada e removida com um fórceps, deixando então desnudo o epitélio pigmentado da retina, formando, portanto, o tecido a ser enxertado.
Para a retirada desse enxerto existem dois sistemas: no primeiro utiliza-se o fórceps sub-retiniano, usado normalmente em cirurgia submacular. O segundo é feito por uma cânula especialmente desenvolvida para a captura do enxerto com aspiração. Após o reposicionamento no espaço submacular, o enxerto é ejetado por refluxo ativo, que é controlado pelo vitreófago e acionado pelo pedal do equipamento. Essa técnica está mais sujeita a complicações em relação à técnica de suspensão. Mas a grande vantagem é que garante o posicionamento correto das células do EPR com relação ao seu lado apical e basal (polarização). São, portanto, implantadas como monocamada de células, mantendo também suas junções celulares, uma vez que são colocadas já posicionadas em cima da membrana de Bruch e coróide.
Binder e colaboradores realizaram um estudo comparativo, utilizando a cirurgia submacular para tratamento da neovascularização da coróide. Em um primeiro grupo utilizaram a remoção da neovascularização da coróide, e depois realizaram o implante de células do EPR. No segundo grupo fizeram a remoção com complexo neovascular sem posterior implante de células do EPR. Após 12 meses de seguimento observaram que, no grupo em que foram implantadas as células do EPR, 52,5% dos pacientes tiveram ganho de duas linhas ou mais na acuidade visual, 32,5% mantiveram a mesma acuidade e 15% perderam duas ou mais linhas. No grupo que não recebeu o implante de células, 21,5% tiveram ganho de duas ou mais linhas na acuidade visual, 57,8% permaneceram com a mesma acuidade e 21,5% apresentaram decréscimo da visão.
Jousen, em 2006, relatou a utilização da técnica da lâmina de EPR-membrana de Bruch e coróide em pacientes com degeneração macular na forma seca e exsudativa. Apesar de a melhora da acuidade visual ter sido observada em alguns pacientes, o que chamou a atenção foram as complicações: 48,8% dos olhos tiveram que ser submetidos à revisão cirúrgica e 37,7% desenvolveram PVR.
Após aprovação pelo comitê de ética, realizamos um estudo piloto com essa técnica para tratamento da DMRI na forma seca e exsudativa. Observamos que existe um alto índice de complicação no per-operatório, como hemorragia na confecção e remoção do tecido doador. No pós-operatório ocorreu descolamento da retina com vitreorretinopatia proliferativa (PVR). Apesar da melhora no ponto de fixação de alguns pacientes, não houve um ganho significativo na acuidade visual.
Futuras direções
Diversos pesquisadores no mundo estão desenvolvendo um meio ou matriz que serve como base para o cultivo das células do epitélio pigmentado da retina.
Substratos que serviriam como suportes das células do EPR substituiriam a membrana de Bruch já danificada (e portanto funcionariam como prótese da membrana de Bruch).
Vários substitutos da membrana de Bruch para servir de suporte ao crescimento das células do EPR têm sido testados: colágeno, gelatina, fibrinogênio, PLGA (acidopolilático glicólico), hidrogel e membrana limitante interna, entre outros. Entretanto, muitos requisitos devem ser preenchidos para que um substituto seja eleito. Um deles é permitir o transporte de fluido com porosidade semelhante à da membrana de Bruch juvenil. A facilidade na manipulação cirúrgica e a boa tolerância no espaço sub-retiniano também são fatores importantes.
Células-tronco semelhantes ao EPR foram obtidas de células-tronco embrionárias e derivadas da medula óssea. Essa terapia celular consiste em uma promissora fonte de substituição ou repopulação do EPR. Os desafios da utilização das células-tronco também esbarram em fatores limitadores semelhantes aos do implante de células do EPR em suspensão, tais como o suporte celular e as modificações da membrana de Bruch relacionadas à idade, por exemplo. Sem dúvida uma solução mais completa seria o desenvolvimento de uma bioprótese contendo os componentes EPR-membrana de Bruch e coróide.
Em resumo, o transplante autólogo do epitélio pigmentado da retina consiste em uma terapia em potencial para o tratamento da DMRI em suas duas formas, mas essa técnica encontra-se ainda em estágio experimental, e não existe ainda um protocolo clínico efetivo até a presente data que apóie sua utilização.
Introdução
O transplante de células da retina tem sido realizado experimentalmente em olhos animais e humanos durante as últimas duas décadas. Apesar das evidências de que o transplante pode ser efetivo em modelos animais, sua eficácia em humanos ainda apresenta resultados controversos.
Os requisitos básicos para o sucesso do transplante de retina incluem:
• Uma fonte viável de células
• Uma técnica segura para a introdução dessas células
• Sobrevida das células transplantadas dentro do receptor
• Nenhuma transdiferenciação das células enxertadas de seu fenótipo normal (de origem)
• Restauração da arquitetura normal da retina
• Estabilização ou melhora visual
Figura 1: esquema mostrando a área onde é retirado o enxerto contendo epitélio pigmentado da retina-membrana de Bruch e coróide e a área onde é implantado
Imagem:reprodução
As degenerações da retina freqüentemente acabam envolvendo quase todas as suas camadas. Portanto, seria necessário desenvolver uma estratégia celular biológica para restaurar a visão com um transplante de células e/ou tecidos neurais. Retinas de embriões têm sido aspiradas, fragmentadas e então injetadas por via de uma seringa no espaço sub-retiniano. Apesar de alguns relatos na literatura observarem a sobrevivência das células fotorreceptoras implantadas, a maioria dos estudos demonstrou que o tecido transplantado perde sua organização e degenera-se após quatro, cinco meses. Alguns grupos realizaram o transplante envolvendo os fotorreceptores em portadores de retinose pigmentar, utilizando células neurais de feto humano e também enxerto de olhos de cadáver adulto. Entretanto, apesar de não terem observado resposta imune significativa nos enxertos, nenhuma melhora visual foi conferida. Além disso, alguns aspectos limitadores relativos ao transplante da retina neural permanecem ainda sem solução, como as dificuldades da integração anatômica entre o enxerto implantado e o tecido receptor. Há também a questão, ainda não respondida pelos experimentos, sobre como essas células implantadas poderiam transferir informação visual. Outro aspecto ainda muito debatido envolve a questão ética, pois os melhores resultados foram obtidos nos estudos que utilizaram retina fetal.
Figura 2: seqüência da cirurgia do transplante autólogo do epitélio pigmentado
A= demarcação da área doadora com endodiatermia
B= remoção da retina sensorial deixando o EPR livre
C= remoção do fragmento contendo EPR-membrana de Bruch e coróide
D= inserção do fragmento no espaço submacular
Devido a esses fatores de limitação, o epitélio pigmentado da retina (EPR) tornou-se um objetivo lógico como ponto de partida para a reconstrução da retina através de um transplante.
As funções do epitélio pigmentado da retina (EPR) incluem: manutenção da barreira hematorretiniana, participação fundamental no ciclo visual da vitamina A, fagocitose dos segmentos externos e realização da isomerização do pigmento visual. Além disso, o EPR secreta diversos fatores de crescimento, como: fator de crescimento derivado da plaqueta (PDGF), que aumenta a sua produção em situações de cicatrização e reparo do EPR; fator de crescimento endotélio vascular (VEGF), que apresenta um papel fundamental no processo de angiogênese durante isquemia da retina e também serve como fator trófico das células do endotélio vascular; e o fator derivado do epitélio pigmentado (PEDF), que tem papel chave na coordenação funcional vascular e neural da retina e é potente inibidor da angiogênese.
Assim, sabe-se hoje que o epitélio pigmentado da retina tem papel crucial na sobrevida dos fotorreceptores e também da coriocapilar da coróide, através da liberação desses fatores de crescimento e produção de matriz extracelular.
A disfunção do epitélio pigmentado da retina pode alterar o ambiente extracelular dos fotorreceptores e desencadear uma variedade de doenças, como degeneração macular relacionada à idade (DMRI), descolamento seroso
Figura 3: cânula especialmente desenvolvida para o transplante autólogo do EPR. O instrumento é capaz de retirar o enxerto da área doadora e injetá-la no espaço submacular.
Imagem:reprodução
da retina e doenças genéticas como atrofia girata e coroideremia. Outras doenças que provavelmente começam pelo epitélio pigmentado da retina incluem a doença de Stargartd, doença de Best, distrofia viteliforme do adulto, drusas de lâmina basal e distrofias em padrão.
#i1# Transplante do EPR
O transplante do epitélio pigmentado da retina foi realizado por Peyman em 1991 em dois pacientes cuja degeneração macular relacionada à idade (DMRI) já se encontrava na fase terminal. Na seqüência, diversos autores também experimentaram essa técnica, utilizando também células fetais cultivadas para implante em pacientes com DMRI na forma seca e úmida, após a retirada cirúrgica do complexo neovascular coróideo.
Os resultados foram limitados, e depois de um ano houve rejeição do tecido implantado.
Portanto, uma solução encontrada para evitar o processo de rejeição foi o transplante de tecido autólogo, ou seja, retirado do próprio paciente.
Inicialmente tentou-se utilizar células do epitélio pigmentado da íris (transplante do epitélio pigmentado da íris), que foi testado por grupos do Japão e da Alemanha. A idéia foi utilizar o epitélio pigmentado da íris (facilmente retirado) para substituir o epitélio pigmentado da retina. Essa técnica, devido à facilidade de remoção do epitélio da íris, abreviaria o ato cirúrgico, diminuindo também as complicações. Apesar do comportamento estável das células no epitélio pigmentado da íris no espaço sub-retiniano, essa linha de pesquisa foi desestimulada pela ausência das características funcionais do epitélio pigmentado da retina, como a fagocitose, entre outras. Conclui-se então que o mais racional seria investir em uma técnica para utilização do epitélio pigmentado da retina autólogo.
Awylard, em 1999, na Alemanha, realizou os primeiros casos de transplante autólogo do epitélio pigmentado da retina. Utilizou a técnica em nove pacientes portadores de DMRI. Em seguida, diversos grupos iniciaram seus estudos sobre essa técnica, incluindo Suzanne Binder (Áustria), Meurs (Alemanha), Algvere e Carl Sheridan (Inglaterra).
Como é a técnica?
As duas técnicas mais utilizadas atualmente são a de suspensão (células do EPR em suspensão) e a de lâmina de EPR-membrana de Bruch e coróide.
Na técnica de EPR em suspensão, uma retinotomia é realizada no setor nasal ao disco óptico. Com uma pequena cânula é injetado BSS, elevando a retina nessa área. Através de uma cânula desenhada especialmente com a abertura para baixo, as células do EPR são aspiradas com aspiração ativa e coletadas em um recipiente com o próprio BSS. Após uma centrifugação, as células são separadas e então reinjetadas na região submacular. O perfluorcarbono é utilizado para aplanar a mácula e impedir o refluxo dessas células para a cavidade vítrea. Ao final da cirurgia é realizada uma troca de fluido, ar e injeção de gás (C3F8). Essa técnica é a que apresenta o menor índice de complicações. O grande obstáculo é a disposição aleatória das células do EPR em relação ao seu lado apical ou basal, não garantindo o posicionamento correto das células no espaço sub-retiniano, o que pode formar multicamadas e fibrose. Além disso, a área de membrana de Bruch não coberta pelas células do EPR poderá levar à atrofia dos fotorreceptores.
A técnica da lâmina de EPR-membrana de Bruch e coróide consiste em retirar um enxerto, contendo essas três camadas, e implantá-lo na região submacular.
Inicialmente, após uma retinotomia no setor nasal ao disco óptico, a delimitação da área de aproximadamente 1,5 a 2 mm quadrados é realizada através de uma endodiatermia. Após essa etapa, a retina nessa área é elevada com uma injeção de BSS no espaço sub-retiniano e com uma tesoura vertical a retina delimitada é cortada e removida com um fórceps, deixando então desnudo o epitélio pigmentado da retina, formando, portanto, o tecido a ser enxertado.
Para a retirada desse enxerto existem dois sistemas: no primeiro utiliza-se o fórceps sub-retiniano, usado normalmente em cirurgia submacular. O segundo é feito por uma cânula especialmente desenvolvida para a captura do enxerto com aspiração. Após o reposicionamento no espaço submacular, o enxerto é ejetado por refluxo ativo, que é controlado pelo vitreófago e acionado pelo pedal do equipamento. Essa técnica está mais sujeita a complicações em relação à técnica de suspensão. Mas a grande vantagem é que garante o posicionamento correto das células do EPR com relação ao seu lado apical e basal (polarização). São, portanto, implantadas como monocamada de células, mantendo também suas junções celulares, uma vez que são colocadas já posicionadas em cima da membrana de Bruch e coróide.
Binder e colaboradores realizaram um estudo comparativo, utilizando a cirurgia submacular para tratamento da neovascularização da coróide. Em um primeiro grupo utilizaram a remoção da neovascularização da coróide, e depois realizaram o implante de células do EPR. No segundo grupo fizeram a remoção com complexo neovascular sem posterior implante de células do EPR. Após 12 meses de seguimento observaram que, no grupo em que foram implantadas as células do EPR, 52,5% dos pacientes tiveram ganho de duas linhas ou mais na acuidade visual, 32,5% mantiveram a mesma acuidade e 15% perderam duas ou mais linhas. No grupo que não recebeu o implante de células, 21,5% tiveram ganho de duas ou mais linhas na acuidade visual, 57,8% permaneceram com a mesma acuidade e 21,5% apresentaram decréscimo da visão.
Jousen, em 2006, relatou a utilização da técnica da lâmina de EPR-membrana de Bruch e coróide em pacientes com degeneração macular na forma seca e exsudativa. Apesar de a melhora da acuidade visual ter sido observada em alguns pacientes, o que chamou a atenção foram as complicações: 48,8% dos olhos tiveram que ser submetidos à revisão cirúrgica e 37,7% desenvolveram PVR.
Após aprovação pelo comitê de ética, realizamos um estudo piloto com essa técnica para tratamento da DMRI na forma seca e exsudativa. Observamos que existe um alto índice de complicação no per-operatório, como hemorragia na confecção e remoção do tecido doador. No pós-operatório ocorreu descolamento da retina com vitreorretinopatia proliferativa (PVR). Apesar da melhora no ponto de fixação de alguns pacientes, não houve um ganho significativo na acuidade visual.
Futuras direções
Diversos pesquisadores no mundo estão desenvolvendo um meio ou matriz que serve como base para o cultivo das células do epitélio pigmentado da retina.
Substratos que serviriam como suportes das células do EPR substituiriam a membrana de Bruch já danificada (e portanto funcionariam como prótese da membrana de Bruch).
Vários substitutos da membrana de Bruch para servir de suporte ao crescimento das células do EPR têm sido testados: colágeno, gelatina, fibrinogênio, PLGA (acidopolilático glicólico), hidrogel e membrana limitante interna, entre outros. Entretanto, muitos requisitos devem ser preenchidos para que um substituto seja eleito. Um deles é permitir o transporte de fluido com porosidade semelhante à da membrana de Bruch juvenil. A facilidade na manipulação cirúrgica e a boa tolerância no espaço sub-retiniano também são fatores importantes.
Células-tronco semelhantes ao EPR foram obtidas de células-tronco embrionárias e derivadas da medula óssea. Essa terapia celular consiste em uma promissora fonte de substituição ou repopulação do EPR. Os desafios da utilização das células-tronco também esbarram em fatores limitadores semelhantes aos do implante de células do EPR em suspensão, tais como o suporte celular e as modificações da membrana de Bruch relacionadas à idade, por exemplo. Sem dúvida uma solução mais completa seria o desenvolvimento de uma bioprótese contendo os componentes EPR-membrana de Bruch e coróide.
Em resumo, o transplante autólogo do epitélio pigmentado da retina consiste em uma terapia em potencial para o tratamento da DMRI em suas duas formas, mas essa técnica encontra-se ainda em estágio experimental, e não existe ainda um protocolo clínico efetivo até a presente data que apóie sua utilização.
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